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Poeta, escritor, jornalista, filósofo, Herculano Pires foi um estudioso da Doutrina Espírita, e um de seus maiores divulgadores. Autor de mais de 80 obras, a maioria dedicada ao Espiritismo, foi o grande defensor da pureza doutrinária, tendo sido definido por Emmanuel, por intermédio de Chico Xavier como “o metro que melhor mediu Kardec”.




Quinta-feira, 8 de setembro de 2011




PROBLEMAS DE PARENTELA

Herculano Pires


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Bem ao gosto do poeta de Musa caipira, essas quadras de sete sílabas, em tom ao mesmo tempo de conversa jocosa e conselheira. E quem o diz é um primo e amigo do poeta, que conviveu com ele e esteve ao seu lado pouco antes da sua passagem. Conheci de perto o poeta caipira, com seu jeito bonachão de conversar e escrever que toda a sua obra atesta. E não tenho a menor dúvida em identificá-lo, nesses versos de quase conversa.

Os problemas de parentela são sempre os mais difíceis da vida cotidiana, para quem tem o senso do dever e das obrigações em família. O egoísta se desfaz deles com facilidade, mas com isso apenas adia obrigações desta existência para outras, naturalmente agravadas com os juros da indiferença comodista que representa uma infração, à lei de amor ao próximo. Aguentar parentes-problemas não é mais do que reparar os danos que lhes causamos no passado. Daí a afirmação do poeta, no tocante à parentela: “Mais vale aguentar com ela.”

Trata-se de um princípio doutrinário que nem todos aceitam. Os que não conhecem a lei da reencarnação, tão clara, em várias passagens evangélicas, rejeitam esse princípio por ignorância. Mas há os que a conhecem e nem por isso aceitam o princípio. É fácil alegar que parentes, amigos e conhecidos que nos oneram nesta vida, com suas dificuldades, são criaturas irresponsáveis. Mas convém lembrar que nada acontece por acaso. Se essas criaturas estão hoje ligadas a nós, existe para isso algum motivo sério. O espiritismo nos mostra que esse motivo provém de existências anteriores. Os que hoje pesam sobre nós, estão simplesmente cobrando afeição e atenção que lhes negamos ontem.

O remédio eficiente é o que Cornélio receita, na última quadra: "mais amor e paciência / paciência e mais amor." Por outro lado, convém lembrar que a lei evangélica de amor ao próximo supre, de maneira perfeita, a falta de conhecimento da lei de reencarnação. Embora não aceitando a reencarnação, toda pessoa de formação evangélica deve saber que o seu dever para com as dificuldades e deficiências do próximo é mandamento divino e, ao mesmo tempo, norma de conduta humana. Espiritualistas enfrentam nesse campo obrigações inalienáveis, embora em posições diferentes.