Ao se libertar dos instintos animais, pelo desenvolvimento da razão, o homem se desliga do domínio de Deus que o conduz segundo as suas necessidades, como conduz a todos os demais seres da criação. Libertando-se do poder que o dirigia, o homem se torna senhor de si mesmo. Deus lhe concede o livre-arbítrio, para que ele possa aprender a ciência difícil do discernimento e desenvolver o senso de responsabilidade pessoal. É o que nos ensina a alegoria bíblica de Adão e Eva, ao comerem do fruto proibido da árvore da sabedoria. Dali por diante, Adão e Eva sabiam distinguir entre o bem e o mal e deviam aprender a conduzir-se por si mesmos.
Os nossos filhos, quando atingem a idade legal de emancipação, libertam-se do nosso domínio e passam a dirigir-se a si mesmos. Nem por isso poderão dispensar os nossos conselhos, as nossas advertências e o nosso auxílio. Se os dispensarem, estarão sujeitos a erros muitas vezes fatais, que desejamos naturalmente evitar para eles, mas nem sempre o conseguimos.
Deus nos concede tudo, mas nem sempre compreendemos o valor de suas concessões. Para continuar ajudando-nos, sem prejudicar o nosso desenvolvimento racional e espiritual, Deus colocou em nossos corações a lei de adoração de que trata O livro dos espíritos. Essa lei é o fundamento moral das religiões, cuja finalidade é religar-nos a Deus. A prece é o meio de comunicação espontânea de que dispomos para nos dirigir ao pai. Esse meio nos serve também para religar-nos àqueles que de nós se afastaram pelos caminhos do mundo ou pelas portas da morte.