As provas coletivas, profundamente dolorosas, como a do incêndio do edifício Joelma, constituem enigma insolúvel para os que creem em Deus mas não conhecem os princípios da sua justiça divina. Diante da tragédia absurda, o coração vacila e muitas vezes a fé desmorona. Como pode Deus castigar assim as criaturas humanas ou até mesmo permitir ocorrências dessa espécie? Não há argumentos que possam acalmar a revolta dos que perderam entes queridos.
Mas uma prece de Emmanuel começa por uma referência a “provas redentoras”. E a seguir nos lembra que nós mesmos, ao reencarnar na Terra, suplicamos às leis divinas as medidas de que necessitamos. Assim, orando a Jesus, Emmanuel nos envia também a mensagem esclarecedora sobre as razões ocultas da tragédia.
Cada criatura humana se define como personalidade pela sua consciência. Graças à consciência, a individualização humana nos separa da individualização animal e nos confere a dignidade espiritual. Conscientes do que somos e do que fazemos, somos naturalmente responsáveis pelos nossos atos. Essa responsabilidade se acentua quando o espírito, livre da ilusão da matéria, se defronta com a realidade no mundo espiritual. É então que pede para voltar à Terra numa reencarnação de provas redentoras, submetendo-se aos mesmos suplícios que infligiu a outros em vidas anteriores.
Quem conhece a história da Humanidade sabe de quantos horrores ela se constitui. O egoísmo humano, a ganância, a sede de poder, a arrogância desmedida dos homens – não obstante a natureza passageira da vida terrena – levaram-nos a muitos desvarios por mares e terras do planeta. Agora, numa fase decisiva da evolução terrena, muitos espíritos anseiam por aliviar sua consciência dos crimes do passado, preparando-se assim para experiências mais altas no mundo melhor que vai nascer.
Há quem se revolte à ideia de que uma criatura querida tenha praticado crimes em vida anterior. Mas a verdade é que somos todos, sem distinção, espíritos endividados com a nossa própria consciência. Nada devemos a Deus, que nada nos cobra, mas tudo devemos a nós mesmos.
A natureza divina do espírito se revela nas leis de justiça da consciência. E é por esse tribunal secreto, instalado em nós mesmos, que nos condenamos a suplícios redentores. A tragédia passageira resulta em benefícios espirituais na vida sem limites, que nos aguarda além-túmulo.