10.3.11

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Poeta, escritor, jornalista, filósofo, Herculano Pires foi um estudioso da Doutrina Espírita, e um de seus maiores divulgadores. Autor de mais de 80 obras, a maioria dedicada ao Espiritismo, foi o grande defensor da pureza doutrinária, tendo sido definido por Emmanuel, por intermédio de Chico Xavier como “o metro que melhor mediu Kardec”.




Quinta-feira, 10 de março de 2011




ENIGMA INSOLÚVEL

Herculano Pires

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As provas coletivas, profundamente dolorosas, como a do incêndio do edifício Joelma, constituem enigma insolúvel para os que creem em Deus mas não conhecem os princípios da sua justiça divina. Diante da tragédia absurda, o coração vacila e muitas vezes a fé desmorona. Como pode Deus castigar assim as criaturas humanas ou até mesmo permitir ocorrências dessa espécie? Não há argumentos que possam acalmar a revolta dos que perderam entes queridos.

Mas uma prece de Emmanuel começa por uma referência a “provas redentoras”. E a seguir nos lembra que nós mesmos, ao reencarnar na Terra, suplicamos às leis divinas as medidas de que necessitamos. Assim, orando a Jesus, Emmanuel nos envia também a mensagem esclarecedora sobre as razões ocultas da tragédia.

Cada criatura humana se define como personalidade pela sua consciência. Graças à consciência, a individualização humana nos separa da individualização animal e nos confere a dignidade espiritual. Conscientes do que somos e do que fazemos, somos naturalmente responsáveis pelos nossos atos. Essa responsabilidade se acentua quando o espírito, livre da ilusão da matéria, se defronta com a realidade no mundo espiritual. É então que pede para voltar à Terra numa reencarnação de provas redentoras, submetendo-se aos mesmos suplícios que infligiu a outros em vidas anteriores.

Quem conhece a história da Humanidade sabe de quantos horrores ela se constitui. O egoísmo humano, a ganância, a sede de poder, a arrogância desmedida dos homens – não obstante a natureza passageira da vida terrena – levaram-nos a muitos desvarios por mares e terras do planeta. Agora, numa fase decisiva da evolução terrena, muitos espíritos anseiam por aliviar sua consciência dos crimes do passado, preparando-se assim para experiências mais altas no mundo melhor que vai nascer.

Há quem se revolte à ideia de que uma criatura querida tenha praticado crimes em vida anterior. Mas a verdade é que somos todos, sem distinção, espíritos endividados com a nossa própria consciência. Nada devemos a Deus, que nada nos cobra, mas tudo devemos a nós mesmos.

A natureza divina do espírito se revela nas leis de justiça da consciência. E é por esse tribunal secreto, instalado em nós mesmos, que nos condenamos a suplícios redentores. A tragédia passageira resulta em benefícios espirituais na vida sem limites, que nos aguarda além-túmulo.