7.10.10

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Poeta, escritor, jornalista, filósofo, Herculano Pires foi um estudioso da Doutrina Espírita, e um de seus maiores divulgadores. Autor de mais de 80 obras, a maioria dedicada ao Espiritismo, foi o grande defensor da pureza doutrinária, tendo sido definido por Emmanuel, por intermédio de Chico Xavier como “o metro que melhor mediu Kardec”.




Quinta-feira, 7 de outubro de 2010



O DOENTE E O REMÉDIO

Herculano Pires





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Quando os fariseus censuraram Jesus por sentar-se à mesa com publicanos e pescadores, Ele respondeu: “Os sãos não precisam de médico, mas sim os enfermos.” Essa é a lição evangélica tratada nos itens 11 e 12 do capítulo XXIV deO evangelho segundo o espiritismo. Como vemos, os temas de estudo nas reuniões públicas com Chico Xavier sempre concordam com os problemas principais que os visitantes de várias cidades vão lá discutir. Os livros são abertos ao acaso, de maneira que essa constância no acerto dos temas basta para provar a ação dos espíritos no desenrolar dos trabalhos.

As atividades espíritas são o meio certo para a cura dos doentes da alma. A terapêutica ocupacional, que é a cura por meio do trabalho, muito antes de ser descoberta pela medicina, era empregada no cristianismo primitivo. Todos os que lutaram pela implantação do cristianismo encaminharam os fracos, os doentes, os viciosos à cura através da execução de tarefas na seara. Há um princípio pedagógico segundo o qual só se aprende fazendo. Como aprender lições da elevação espiritual sem praticá-las? A aptidão para o bem se adquire na prática do bem.

As pessoas consideradas sem merecimento para a execução de tarefas espirituais são as que mais necessitam de executá-las. Porque o merecimento vem precisamente do esforço e da dedicação. Comentando que a mediunidade é concedida sem distinção, sem escolha, Kardec lembra que ela é dada “aos virtuosos para fortalecer no bem e aos viciosos para os corrigir”. E acrescenta: “Estes últimos são os doentes que precisam de médico.”

Maria Dolores, nas suas comparações poéticas, mostra-nos o mesmo principio ao afirmar: ”... só se vence o mal pelo serviço ao bem”. Se o serviço do bem é o remédio para o mal, como curar o doente que se recusa a tomar o remédio? As pessoas que se sentem inúteis porque se reconhecem cheias de imperfeições e defeitos, deviam lembrar-se de que Jesus não procurou anjos nem sábios para o serviço do Evangelho, mas homens rudes e imperfeitos que se aprimoraram na execução de tarefas do seu ministério.